Mais de 80% dos afetados recusam mudança de escala dos policiais penais

Abaixo-assinado foi entregue hoje (28) ao Departamento Penitenciária e à Secretaria de Segurança Pública



O SINDARSPEN protocolou nesta terça-feira (28) o abaixo-assinado sobre a consulta para a mudança na escala de trabalho dos policiais penais. Sob a justificativa de que havia necessidade de que ela fosse alterada para que seja regulamentada a jornada extraordinária, o Departamento Penitenciário (DEPEN) aventa acrescentar mais 12 horas mensais de trabalho ordinário, sem aumentar um real na remuneração desses servidores.

O documento foi entregue ao DEPEN e à Secretaria de Segurança Pública. O SINDARSPEN entende que a regulamentação da jornada extraordinária é um anseio da categoria, mas alertou a base de que não dá para resolver a questão dessa forma, dissimulando interesses obscuros e aumentando a carga horária ordinária de quem já está trabalhando exaustivamente pela falta de efetivo nas unidades.

Dos 2.763 policiais penais da ativa, 1.172 trabalham diretamente com a escala regulamentada pelo decreto estadual 8572/10. Desses policiais, 953 recusaram a imposição da mudança de escala com redução de folgas. Além deles, outros 103 que trabalham em outros setores, como administrativo e DOS, também assinaram o documento em apoio. No total, o abaixo-assinado teve 1.056 assinaturas.

Sem reposição da inflação há 5 anos, com um terço da categoria com a promoção atrasada há 3 anos e com tantos outros direitos negligenciados, os policiais penais do Paraná já vêm se sacrificando numa rotina adoecedora há anos, numa demanda de trabalho que não para de crescer. Desde que o DEPEN assumiu a gestão das cadeias públicas, são mais 10 mil presos sob a custódia do órgão. Aumento das atividades sem a contratação de nenhum novo servidor. Há 8 anos não há concurso público para a área.

“Ninguém melhor do que o servidor que está na base para avaliar os problemas de uma atividade profissional. E foram esses servidores que se manifestaram por meio desse abaixo-assinado. Eles conhecem mais do que ninguém os efeitos nefastos que a sobrecarga tem na vida dos trabalhadores”, avalia a diretora Executiva do SINDARSPEN, Vanderleia Leite.